segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

confetes, tapa sexo e glitter


Eu nunca soube fazer carnaval. Sempre achei a globeleza uma gostosa, já arrepiei ouvindo na TV o tumtumtum da Portela, fiz visitas culturais a carnavais de outros países, e até cantarolei “retalhos de cetim” em algum momento da vida, enquanto, pequena, ouvia minha mãe a assoviar da cozinha. Mas nunca realmente saí de casa pra pular atrás de bloquinho de carnaval. 

É como se “o carnaval fosse tipo aqueles aparelhos da polishop que você compra, espera ansiosamente e quando chega não tem a MAIS PUTA IDEIA do que fazer com ele”, diria a Drê. Mas nesse ano prometi que a equação pree + carnaval tinha que acontecer. Na rua.

Preparei confetes, tapa sexo e glitter e fui parar no bloco dos Populares em Pânico, acompanhada de um bando de roqueiro gente boa que ouvia a clássicos do rock’n roll e bebia uísque até o coma. Tá, não é a mesma coisa, mas conta, vai. 

Foi meu primeiro passo para o usufruto semântico da coisa e achei deveras divertido. E cheio de experiências antropológicas: lá em carnaland parece que vale tudo. Bebe-se até cair depois da vírgula. Coisa assim, que vem de dentro: “põe pra dentro, que hoje é carnaval!”. True story. Me senti meio burra, mas foi até divertido, tirando a ressaca.

Ano que vem, eu vou pro samba. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Do dia em que pensei que não viveria para ver 2012

Ônibus que nos levou a Marcahuasi
Eu sempre gostei dessa coisa de viajar. Pensei que iria fazer isso da vida um dia, mas aí os 23 chegaram, o tempo foi passando, e, você sabe, eu estava mais preocupada em como não fazer a incrível carreira brilhante no Direito que o senhor meu pai imaginou pra mim.

Um dia a amiga disse que iria estudar na Austrália. Mas que tinha medo. Que não queria ir sozinha.

Respondi que ela era uma imbecil. Que medo o meu ovo. Que tinha quem a apoiasse. Que ela não tinha nada a perder.

Três meses depois ninguém foi pra Autrália, mas eu estava na Inglaterra. Com sangue nos olhos e amassando cacos de vidros com a mão direita, percebi que a imbecil era eu, vendi meu uno 2003 cor vinho placa JKR 9999, larguei meu trabalho e fui estudar ingrêis nas gringa. Mentira, eu fugi. Fugi e voltei. Voltei mais quebrada do que quando fui, mas a vida dá certo.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O cóccix, o ano novo e a moral da história


Como no ano novo em que eu caí de bunda no chão e não me recuperei mais. Faltavam 7 segundos para 2009 e as pessoas, você sabe, faziam a contagem regressiva.

Percebi que muitos dos nativos locais carregavam em suas mãos suas próprias taças, enquanto um macho alfa tão simpático e peludo quanto o papai noel trazia o champanhe.

Com mãos vazias, decidi presentear-me com qualquer espécime de taça também. Não porque pensava que, se eu não brindasse, a fantasia toda de ano novo se evaporaria. É que eu sabia que 2009 seria um ano, assim, ãn, como dizer isso de forma elegante... uma merda difícil. E há de se convir que um drink nessas horas não faz mal a ninguém (dizem).

Pois bem. 31 de dezembro de 2008. Eu tinha acabado de voltar de uma temporada na Inglaterra, com uma mão na frente e outra atrás. Na volta, o que eu tinha eram 30 quilos a mais, um relacionamento de 5 anos terminado, um corte masculine, um bilhete velho do metrô de Barcelona no bolso, um ticket de entrada para o meu processo de choque cultural reverso e alguma sutil vontade de culpar o mundo por aquilo que não estava dando exatamente certo.